Nova descoberta sobre os efeitos do álcool no coração

Por Sandro L. Marques

O álcool é uma das drogas mais consumidas no mundo e é bem conhecida a sua relação com acidentes, violência doméstica, suicídio, cirrose hepática, além de alguns tipos de câncer.  Apesar disso, alguns estudos têm mostrado, já há algum tempo,  que o consumo “leve a moderado” pode ser bom e até mesmo  proteger contra o Infarto do Miocárdio, provocando um entusiasmo geral com o seu potencial benefício cardiovascular. Assim, é comum vermos matérias nos jornais e na TV sobre os  benefícios do consumo de álcool para o coração, levando as pessoas, naturalmente, a beberem mais.

Porém, um estudo realizado na Califórnia, publicado recentemente no prestigiado  Journal of American College of Cardiology (1) demonstrou que o abuso de álcool aumenta, de forma significativa, o risco de Fibrilação Atrial (uma arritmia cardíaca que pode levar a derrame cerebral ou AVC), Insuficiência Cardíaca e Infarto do Miocárdio. Este aumento de risco cardíaco é da mesma magnitude que outros fatores bem conhecidos como, por exemplo, o Diabetes e a Hipertensão Arterial. Além disso, uma análise mais cuidadosa sobre as pesquisas prévias que mostravam o “efeito protetor” do consumo leve a moderado, demonstra que as evidências eram pouco robustas, e que o entusiasmo inicial foi exagerado. Portanto, baseado nestes dados, o álcool não deve ser considerado  cardioprotetor; seu abuso é perigoso para o coração e múltiplos outros órgãos e talvez até o consumo moderado seja ruim.

(1) J Am Coll Cardiol 2017; 69:13-24.

Dr. Sandro L. Marques é  cardiologista formado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, com Residência Médica em Medicina Interna e Cardiologia e Título de Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Acesse perfil

Compartilhe:
AGENDAR